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ADESG - Política Nacional de Inteligência ­ PNI

Política Nacional de Inteligência ­ PNI

O Vice presidente da República, no exercício do cargo de Presidente da República, no uso das
atribuições que lhe confere o art. 84, caput, inciso VI, alínea “a”, da Constituição,
DECRETA:
Art. 1º A Política Nacional de Inteligência ­ PNI, fixada na forma do Anexo, visa a definir os parâmetros e os
limites de atuação da atividade de inteligência e de seus executores no âmbito do Sistema Brasileiro de Inteligência, nos
termos estabelecidos pela Lei nº 9.883, de 7 de dezembro de 1999.
Art. 2º Compete ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República a coordenação das
atividades de inteligência no âmbito da administração pública federal.
Art. 3º Os órgãos e as entidades da administração pública federal deverão considerar, em seus planejamentos, as
ações que concorram para o fortalecimento do Sistema Brasileiro de Inteligência.
Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 29 de junho de 2016; 195º da Independência e 128º da República.
MICHEL TEMER
Sergio Westphalen Etchegoyen
Este texto não substitui o publicado no DOU de 30.6.2016
1 INTRODUÇÃO
A Política Nacional de Inteligência (PNI), documento de mais alto nível de orientação da atividade de Inteligência
no País, foi concebida em função dos valores e princípios fundamentais consagrados pela Constituição Federal, das
obrigações decorrentes dos tratados, acordos e demais instrumentos internacionais de que o Brasil é parte, das
condições de inserção internacional do País e de sua organização social, política e econômica. É fixada pelo Presidente
da República, após exame e sugestões do competente órgão de controle externo da atividade de Inteligência, no âmbito
do Congresso Nacional.
A PNI define os parâmetros e limites de atuação da atividade de Inteligência e de seus executores e estabelece
seus pressupostos, objetivos, instrumentos e diretrizes, no âmbito do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN).
Para efeito da implementação da PNI, adotam­se os seguintes conceitos:
Atividade de Inteligência: exercício permanente de ações especializadas, voltadas para a produção e difusão de
conhecimentos, com vistas ao assessoramento das autoridades governamentais nos respectivos níveis e áreas de
atribuição, para o planejamento, a execução, o acompanhamento e a avaliação das políticas de Estado. A atividade de
Inteligência divide­se, fundamentalmente, em dois grandes ramos:
I – Inteligência: atividade que objetiva produzir e difundir conhecimentos às autoridades competentes, relativos a
fatos e situações que ocorram dentro e fora do território nacional, de imediata ou potencial influência sobre o processo
decisório, a ação governamental e a salvaguarda da sociedade e do Estado;
II – Contrainteligência: atividade que objetiva prevenir, detectar, obstruir e neutralizar a Inteligência adversa e as
ações que constituam ameaça à salvaguarda de dados, conhecimentos, pessoas, áreas e instalações de interesse da
sociedade e do Estado.
2 PRESSUPOSTOS DA ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA
2.1 Obediência à Constituição Federal e às Leis
A Inteligência desenvolve suas atividades em estrita obediência ao ordenamento jurídico brasileiro, pautando­se
pela fiel observância aos Princípios, Direitos e Garantias Fundamentais expressos na Constituição Federal, em prol do
bem­comum e na defesa dos interesses da sociedade e do Estado Democrático de Direito.
05/07/2016 Decreto nº 8793

2.2 Atividade de Estado
A Inteligência é atividade exclusiva de Estado e constitui instrumento de assessoramento de mais alto nível de
seus sucessivos governos, naquilo que diga respeito aos interesses da sociedade brasileira. Deve atender
precipuamente ao Estado, não se colocando a serviço de grupos, ideologias e objetivos mutáveis e sujeitos às
conjunturas político­partidárias.
2.3 Atividade de assessoramento oportuno
À Inteligência compete contribuir com as autoridades constituídas, fornecendo­lhes informações oportunas,
abrangentes e confiáveis, necessárias ao exercício do processo decisório.
Cumpre à Inteligência acompanhar e avaliar as conjunturas interna e externa, buscando identificar fatos ou
situações que possam resultar em ameaças ou riscos aos interesses da sociedade e do Estado. O trabalho da
Inteligência deve permitir que o Estado, de forma antecipada, mobilize os esforços necessários para fazer frente às
adversidades futuras e para identificar oportunidades à ação governamental.
2.4 Atividade especializada
A Inteligência é uma atividade especializada e tem o seu exercício alicerçado em um conjunto sólido de valores
profissionais e em uma doutrina comum.
A atividade de Inteligência exige o emprego de meios sigilosos, como forma de preservar sua ação, seus métodos
e processos, seus profissionais e suas fontes. Desenvolve ações de caráter sigiloso destinadas à obtenção de dados
indispensáveis ao processo decisório, indisponíveis para coleta ordinária em razão do acesso negado por seus
detentores. Nesses casos, a atividade de Inteligência executa operações de Inteligência ­ realizadas sob estrito amparo
legal ­, que buscam, por meio do emprego de técnicas especializadas, a obtenção do dado negado.
2.5 Conduta Ética
A Inteligência pautasse pela conduta ética, que pressupõe um conjunto de princípios orientadores do
comportamento humano em sociedade. A sua observância é requisito fundamental a profissionais de qualquer campo de
atividade humana. No que concerne ao comportamento dos profissionais de Inteligência, representa o cuidado com a
preservação dos valores que determinam a primazia da verdade, sem conotações relativas, da honra e da conduta
pessoal ilibada, de forma clara e sem subterfúgios.
Na atividade de Inteligência, os valores éticos devem balizar tanto os limites de ação de seus profissionais quanto
os de seus usuários. A adesão incondicional a essa premissa é o que a sociedade espera de seus dirigentes e
servidores.
2.6 Abrangência
A atividade de Inteligência deve possuir abrangência tal que lhe possibilite identificar ameaças, riscos e
oportunidades ao País e à sua população.
É importante que as capacidades individuais e coletivas, disponíveis nas universidades, centros de pesquisa e
demais instituições e organizações públicas ou privadas, colaborem com a Inteligência, potencializando sua atuação e
contribuindo com a sociedade e o Estado na persecução de seus objetivos.
2.7 Caráter permanente
A Inteligência é uma atividade perene e sua existência confunde­se com a do Estado ao qual serve. A
necessidade de assessorar o processo decisório e de salvaguardar os ativos estratégicos da Nação é ditada pelo
Estado, em situações de paz, de conflito ou de guerra.
3 O ESTADO, A SOCIEDADE E A INTELIGÊNCIA
No mundo contemporâneo, a gestão dos negócios de Estado ocorre no curso de uma crescente evolução
tecnológica, social e gerencial. Em igual medida, as opiniões, interesses e demandas da sociedade evoluem com
celeridade. Nessas condições, amplia­se o papel da Inteligência no assessoramento ao processo decisório nacional e,
simultaneamente, impõe­se aos profissionais dessa atividade o desafio de reavaliar, de forma ininterrupta, sua
contribuição àquele processo no contexto da denominada "era da informação". Em meio a esse cenário, há maior
disponibilidade de informações acerca de temas de interesse, exigindo dos órgãos de Inteligência atuação não
concorrente, bem como a produção de análises com maior valor agregado.
O desenvolvimento das tecnologias da informação e das comunicações impõe a atualização permanente de meios
e métodos, obrigando os órgãos de Inteligência ­ no que se refere à segurança dos sistemas de processamento,
armazenamento e proteção de dados sensíveis ­ a resguardar o patrimônio nacional de ataques cibernéticos e de outras
ações adversas, cada vez mais centradas na área econômico­tecnológica. A crescente interdependência dos processos
produtivos e dos sistemas de controle da tecnologia da informação e comunicações desperta preocupação quanto à
segurança do Estado e da sociedade, em decorrência da vulnerabilidade a ataques eletrônicos, ensejando atenção
permanente da Inteligência em sua proteção.
05/07/2016 Decreto nº 8793

Os atuais cenários internacional e nacional revelam peculiaridades que induzem a atividade de Inteligência a
redefinir suas prioridades, dentre as quais adquirem preponderância aquelas relacionadas a questões econômicocomerciais
e científico­tecnológicas. Nesse contexto, assumem contornos igualmente preocupantes os aspectos
relacionados com a espionagem, propaganda adversa, desinformação, a sabotagem e a cooptação.
Paralelamente, potencializa­se o interesse da Inteligência frente a fenômenos como: violência, em larga medida
financiada por organizações criminosas ligadas ao narcotráfico; crimes financeiros internacionais; violações dos direitos
humanos; terrorismo e seu financiamento; e atividades ilegais envolvendo o comércio de bens de uso dual e de
tecnologias sensíveis, que desafiam os Estados democráticos.
Ao desenvolverem o seu trabalho, os órgãos de Inteligência devem, também, atentar para a identificação de
oportunidades que possam surgir para o Estado, indicando­as às autoridades detentoras de poder decisório.
A crescente complexidade das relações entre Estados e desses com as sociedades define o ambiente onde atua
a Inteligência. Ameaças à segurança da sociedade e do Estado demandam ações preventivas concertadas entre os
organismos de Inteligência de diferentes países, e desses com suas estruturas internas. Esse universo acentua a
importância do compartilhamento de informações e do trabalho coordenado e integrado, de forma a evitar a deflagração
de crises em áreas de interesse estratégico para o Estado ou, quando inevitável, a oferecer às autoridades o
assessoramento capaz de permitir o seu adequado gerenciamento.
4 OS AMBIENTES INTERNACIONAL E NACIONAL
A conjuntura mundial tem alterado a percepção e a conduta dos Estados nacionais, das organizações e dos
indivíduos, realçando os chamados temas globais e transnacionais. Alguns deles, já anteriormente citados, encerram
desafios e graves ameaças, a exemplo de: criminalidade organizada; narcotráfico; terrorismo e seu financiamento;
armas de destruição em massa; e atividades ilegais envolvendo comércio de bens de uso dual e de tecnologias
sensíveis. Nenhum dos problemas associados a esses temas globais pode ser evitado ou enfrentado sem efetiva
cooperação internacional.
No entanto, as relações internacionais não se resumem ao exame de temas de convergência e a ações
cooperativas, e as denominadas ameaças transnacionais não logram unir e congraçar os Estados em torno de
interesses e objetivos comuns. O ambiente internacional caracteriza­se, ao contrário, pela contínua competição entre
Estados. Cada um busca melhorar seu respectivo posicionamento estratégico.
O Brasil assume crescente relevância no cenário internacional. No campo econômico, integra um bloco de países
que apresenta considerável potencial de crescimento e capacidade de atração de investimentos produtivos. Na área
comercial, emerge como destacado exportador de produtos primários e de produtos de alto valor agregado. Conquistada
a estabilidade econômica, sua moeda ganha credibilidade, seu sistema bancário goza de sólida reputação e sua
estrutura regulatória sobressai entre as mais confiáveis do mundo.
No campo político­militar, o País contribui para a estabilidade regional, a construção de consensos e a conciliação
de interesses, por meio de iniciativas de integração sulamericana. Concorre para o êxito das operações de manutenção
da paz da Organização das Nações Unidas (ONU) e dispõe­se a assumir novas responsabilidades no âmbito dessa
organização.
Esse cenário projeta benefícios para a população brasileira sob todos os aspectos, especialmente nos campos
político, econômico e social. Também torna o País suscetível à perpetração de ações adversas de vários tipos, quer no
âmbito interno, quer externo.
Cumpre ressaltar que a complexidade global já não permite clara diferenciação de aspectos internos e externos na
identificação da origem das ameaças e aponta, cada vez mais, para a necessidade de que sejam entendidas,
analisadas e avaliadas de forma integrada.
Afigura­se, assim, imprescindível o delineamento de uma Política capaz de orientar e balizar a atividade de
Inteligência do País, visando ao adequado assessoramento ao processo decisório nacional de forma singular, oportuna e
eficaz. Esse instrumento de gestão pública deve guardar perfeita s nia com os preceitos da Política Externa
Brasileira e com os interesses estratégicos definidos pelo Estado, como aqueles consignados na Política de Defesa
Nacional e na Estratégia Nacional de Defesa.
É necessário, ainda, ampliar o desenvolvimento de ações de proteção dos conhecimentos sensíveis e da
infraestrutura crítica nacional, bem como contrapor­se ao surgimento de ameaças representadas tanto por serviços de
Inteligência, quanto por grupos de interesse, organizações ou indivíduos que atuem de forma adversa aos interesses
estratégicos nacionais.
5 INSTRUMENTOS
Para efeito da presente Política, consideram­se instrumentos da Inteligência os atos normativos, instituições,
métodos, processos, ações e recursos necessários à implementação dos seus objetivos.
São instrumentos essenciais da Inteligência nacional:
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I – Plano Nacional de Inteligência;
II – Doutrina Nacional de Inteligência;
III – diretivas e prioridades estabelecidas pelas autoridades competentes;
IV – SISBIN e órgãos de Inteligência que o integram;
V – intercâmbio de dados e conhecimentos no âmbito do SISBIN, nos termos da legislação em vigor;
VI – planejamento integrado do regime de cooperação entre órgãos integrantes do SISBIN;
VII – capacitação, formação e desenvolvimento de pessoas para a atividade de Inteligência;
VIII – pesquisa e desenvolvimento tecnológico para as áreas de Inteligência e Contrainteligência;
IX – ajustes de cooperação mediante instrumentos específicos entre órgãos ou entidades integrantes da
Administração Pública Federal (APF), das Unidades da Federação ou da iniciativa privada;
X – recursos financeiros necessários à consecução das atividades de Inteligência;
XI – controle interno e externo da atividade de Inteligência; e
XII – intercâmbio de Inteligência e cooperação técnica internacionais.
6 PRINCIPAIS AMEAÇAS
Para efeito da presente Política, consideram se principais ameaças aquelas que apresentam potencial capacidade
de pôr em perigo a integridade da sociedade e do Estado e a segurança nacional do Brasil.
A PNI, para o balizamento das atividades dos diversos órgãos que integram o Sistema Brasileiro de Inteligência
(SISBIN), prioriza as ameaças a seguir apresentadas.
6.1 Espionagem
É a ação que visa à obtenção de conhecimentos ou dados sensíveis para beneficiar Estados, grupos de países,
organizações, facções, grupos de interesse, empresas ou indivíduos.
Ações de espionagem podem afetar o desenvolvimento socioeconômico e comprometer a soberania nacional. Há
instituições e empresas brasileiras vulneráveis à espionagem, notadamente aquelas que atuam nas áreas econômicofinanceira
e científico­tecnológica. O acesso indevido a dados e conhecimentos sensíveis em desenvolvimento, bem
como a interceptação ilegal de comunicações entre organizações para a obtenção de informações estratégicas, têm sido
recorrentes e causado significativa evasão de divisas.
6.2 Sabotagem
É a ação deliberada, com efeitos físicos, materiais ou psicológicos, que visa a destruir, danificar, comprometer ou
inutilizar, total ou parcialmente, definitiva ou temporariamente, dados ou conhecimentos; ferramentas; materiais;
matérias­primas; equipamentos; cadeias produtivas; instalações ou sistemas logísticos, sobretudo aqueles necessários
ao funcionamento da infraestrutura crítica do País, com o objetivo de suspender ou paralisar o trabalho ou a capacidade
de satisfação das necessidades gerais, essenciais e impreteríveis do Estado ou da população.
A projeção internacional do País e sua influência em vários temas globais atraem a atenção daqueles cujas
pretensões se veem ameaçadas pelo processo de desenvolvimento nacional. A ocorrência de ações de sabotagem pode
impedir ou dificultar a consecução de interesses estratégicos brasileiros.
6.3 Interferência Externa
É a atuação deliberada de governos, grupos de interesse, pessoas físicas ou jurídicas que possam influenciar os
rumos políticos do País com o objetivo de favorecer interesses estrangeiros em detrimento dos nacionais.
É prejudicial à sociedade brasileira que ocorra interferência externa no processo decisório ou que autoridades
brasileiras sejam levadas a atuar contra os interesses nacionais e em favor de objetivos externos antagônicos. A
interferência externa é uma ameaça frontal ao princípio constitucional da soberania.
Deve constituir também motivo de constante atenção e preocupação a eventual presença militar extrarregional na
América do Sul, podendo ser caracterizada como ameaça à estabilidade regional.
6.4 Ações contrárias à Soberania Nacional
São ações que atentam contra a autodeterminação, a não­ingerência nos assuntos internos e o respeito
incondicional à Constituição e às leis.
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Deve constituir preocupação constante do Estado e de seus governantes, e requerer a atenção da Inteligência
nacional, a violação: dos espaços territorial e aéreo brasileiros; de suas fronteiras marítimas e terrestres; da segurança
dos navios e aeronaves de bandeira brasileira, à luz das Convenções em vigor no País; dos direitos exclusivos sobre
sua plataforma continental; do seu direito sobre seus recursos naturais; e do seu direito soberano de regular a
exploração e de usufruir de sua biodiversidade.
6.5 Ataques cibernéticos
Referem­se a ações deliberadas com o emprego de recursos da tecnologia da informação e comunicações que
visem a interromper, penetrar, adulterar ou destruir redes utilizadas por setores públicos e privados essenciais à
sociedade e ao Estado, a exemplo daqueles pertencentes à infraestrutura crítica nacional.
Os prejuízos das ações no espaço cibernético não advêm apenas do comprometimento de recursos da tecnologia
da informação e comunicações. Decorrem, também, da manipulação de opiniões, mediante ações de propaganda ou de
desinformação.
Há países que buscam abertamente desenvolver capacidade de atuação na denominada guerra cibernética, ainda
que os ataques dessa natureza possam ser conduzidos não apenas por órgãos governamentais, mas também por
grupos e organizações criminosas; por simpatizantes de causas específicas; ou mesmo por nacionais que apoiem
ações antagônicas aos interesses de seus países.
6.6 Terrorismo
É uma ameaça à paz e à segurança dos Estados. O Brasil solidariza­se com os países diretamente afetados por
este fenômeno, condena enfaticamente as ações terroristas e é signatário de todos os instrumentos internacionais sobre
a matéria. Implementa as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. A
temática é área de especial interesse e de acompanhamento sistemático por parte da Inteligência em âmbito mundial.
A prevenção e o combate a ações terroristas e a seu financiamento, visando a evitar que ocorram em território
nacional ou que este seja utilizado para a prática daquelas ações em outros países, somente serão possíveis se
realizados de forma coordenada e compartilhada entre os serviços de Inteligência nacionais e internacionais e, em
âmbito interno, em parceria com os demais órgãos envolvidos nas áreas de defesa e segurança.
6.7 Atividades ilegais envolvendo bens de uso dual e tecnologias sensíveis
São ameaças crescentes que atingem países produtores desses bens e detentores dessas tecnologias, em
especial nas áreas química, biológica e nuclear. O Brasil insere­se nesse contexto. As redes criminosas e terroristas
buscam ter acesso, na maioria das vezes de forma regular, porém dissimulada, a esses bens e tecnologias. Para tanto,
utilizam­se, entre outros meios, de empresas ou instituições de fachada criadas legalmente ao redor do mundo para
tentar burlar controles executados por órgãos de Inteligência e de repressão em conformidade com a legislação brasileira
e com os compromissos internacionais assumidos pelo País.
O trabalho da Inteligência nessa área é identificar essas redes, grupos, empresas ou instituições, seus modus
operandi e objetivos ao tentar ter acesso a bens de uso dual e tecnologias sensíveis, assim como aos detentores
desses conhecimentos.
O controle das tecnologias de uso dual deve dar­se de modo a preservar o direito ao desenvolvimento científico e
tecnológico para fins pacíficos, de acordo com os instrumentos internacionais incorporados ao ordenamento jurídico
nacional. O País adota legislação avançada de controle de transferência dessas tecnologias.
6.8 Armas de Destruição em Massa
Constituem ameaça que atinge a todos os países. A existência de armas de destruição em massa (químicas,
biológicas e nucleares) é, em si mesma, uma fonte potencial de proliferação, além de representar risco à paz mundial e
aos países que abdicaram da opção por essas armas para sua defesa.
Para contrapor­se à ameaça representada pelas armas de destruição em massa, sobressaem dois imperativos: a
não­proliferação e a eliminação dos estoques existentes.
A implementação de ações de Inteligência nessa área é fator determinante e contribui para a proteção da
população brasileira e das infraestruturas críticas em território nacional contra possíveis efeitos do emprego de armas ou
artefatos produzidos a partir desses bens ou tecnologias.
6.9 Criminalidade Organizada
É ameaça a todos os Estados e merece atenção especial dos órgãos de Inteligência e de repressão nacionais e
internacionais. A incidência desse fenômeno, notadamente em sua vertente transnacional, reforça a necessidade de
aprofundar a cooperação. Apesar dos esforços individuais e coletivos das nações, não se projetam resultados que
apontem para a redução desse flagelo global em curto e médio prazo.
A atuação cada vez mais integrada nas vertentes preventiva (Inteligência) e reativa (Policial) mostra ser a forma
mais efetiva de enfrentar esse fenômeno, inclusive no que diz respeito a subsidiar os procedimentos de identificação e
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interrupção dos fluxos financeiros que lhe dão sustentação. Atualmente, a grande maioria dos países desenvolve e
aprofunda o intercâmbio de dados e conhecimentos entre os órgãos de Inteligência e de repressão em âmbito nacional e
internacional.
6.10 Corrupção
A corrupção é um fenômeno mundial capaz de produzir a erosão das instituições e o descrédito do Estado como
agente a serviço do interesse nacional. Pode ter, nos pólos ativo e passivo, agentes públicos e privados.
Cabe à Inteligência cooperar com os órgãos de controle e com os governantes na prevenção, identificação e
combate à corrupção em suas diversas manifestações, inclusive quando advindas do campo externo, que colocam em
risco o interesse público.
6.11 Ações Contrárias ao Estado Democrático de Direito
Representam ameaça que deve merecer especial atenção de todos os entes governamentais, em particular
daqueles com atribuições institucionais de garantir a defesa do Estado Democrático de Direito.
As ações contrárias ao Estado Democrático de Direito são aquelas que atentam contra o pacto federativo; os
direitos e garantias fundamentais; a dignidade da pessoa humana; o bem­estar e a saúde da população; o pluralismo
político; o meio ambiente e as infraestruturas críticas do País, além de outros atos ou atividades que representem ou
possam representar risco aos preceitos constitucionais relacionados à integridade do Estado.
Identificar essas ações e informar às autoridades governamentais competentes é tarefa primordial da atividade de
Inteligência, que assim estará proporcionando aos governantes o subsídio adequado e necessário ao processo de
tomada de decisão.
7 OBJETIVOS DA INTELIGÊNCIA NACIONAL
Contribuir para a promoção da segurança e dos interesses do Estado e da sociedade brasileira, por meio de
atividades e da produção de conhecimentos de Inteligência que possibilitem:
I – acompanhar e avaliar as conjunturas interna e externa, assessorando o processo decisório nacional e a ação
governamental;
II – identificar fatos ou situações que possam resultar em ameaças, riscos ou oportunidades;
III – neutralizar ações da Inteligência adversa;
IV – proteger áreas e instalações, sistemas, tecnologias e conhecimentos sensíveis, bem como os detentores
desses conhecimentos; e
V – conscientizar a sociedade para o permanente aprimoramento da atividade de Inteligência.
8 DIRETRIZES
8.1 Prevenir ações de espionagem no País
O desenvolvimento de ações destinadas à obtenção de dados protegidos é fato usual e consolidado nas relações
internacionais.
A diversidade de interesses e iniciativas com impacto regional e global vem aumentando continuamente.
Segredos militares, industriais (inovação e tecnologia) e de política externa são alvos preferenciais da espionagem
estrangeira. Faz­se necessário identificar, avaliar e interpretar posturas externas, elencando aquelas que representem
ameaças, prejuízos e comprometimento das políticas e planos nacionais.
8.2 Ampliar a capacidade de detectar, acompanhar e informar sobre ações adversas aos interesses do
Estado no exterior
O Brasil vem ampliando a sua atuação no cenário internacional e, não raro, ações de interesse estratégico para o
País são executadas em regiões com elevado nível de tensão política e social ou em áreas de conflito.
Paralelamente, a cooperação técnico­científica mundial demanda a presença de especialistas brasileiros em
vários pontos dos cinco continentes.
Nesse cenário, torna­se imprescindível para a Inteligência conhecer as principais ameaças e vulnerabilidades a
que estão sujeitas as posições e os interesses nacionais no exterior, como forma de bem assessorar o chefe de Estado
e os órgãos responsáveis pela consecução dos objetivos no exterior.
8.3 Prevenir ações de sabotagem
A posição mais relevante do País no cenário internacional aumenta o risco de se tornar alvo de ações de
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sabotagem, que visam a impedir ou a dificultar a consecução de seus interesses estratégicos.
As consequências de atos de sabotagem podem situar­se em pontos dist s de uma ampla escala, que vão da
suspensão temporária até a paralisação total de atividades e serviços essenciais à população e ao Estado.
Dessa forma, é necessário mapear os alvos potenciais para atos de sabotagem, com o intuito de detectar o
planejamento de ações dessa natureza em seus estágios iniciais.
8.4 Expandir a capacidade operacional da Inteligência no espaço cibernético
O funcionamento de um aparato estatal não pode prescindir da utilização de tecnologias da informação e das
comunicações. O comprometimento da capacidade operacional do Estado e de sistemas computacionais essenciais ao
provimento das necessidades básicas da sociedade deve ser preocupação permanente, exigindo constante
aperfeiçoamento técnico dos entes públicos responsáveis pela integridade desses sistemas.
Por sua vez, a rede mundial de computadores, além de canal cada vez mais propício à perpetração de atos
protagonizados por agentes do crime organizado ou por organizações terroristas, tem­se constituído, ainda, em espaço
privilegiado de discussões, diversas das quais relativas aos interesses do País. Nesse contexto, é primordial
acompanhar, avaliar tendências, prevenir e evitar ações prejudiciais à consecução dos objetivos nacionais.
8.5 Compartilhar dados e conhecimentos
O êxito de uma atuação coordenada depende do compartilhamento oportuno de dados e conhecimentos entre os
diversos organismos estatais, observadas as características específicas da atividade de Inteligência, em especial
quanto aos usuários que a eles devem ter acesso.
As missões e atribuições da Inteligência devem ser realizadas, sempre que possível, com a disponibilidade
sistêmica de acesso a dados e conhecimentos entre os órgãos do SISBIN.
8.6 Ampliar a confiabilidade do Sistema Brasileiro de Inteligência
O acesso a conhecimentos de Inteligência é tão valioso quanto a sua confiabilidade, bem como a dos
profissionais que integram o SISBIN. A disseminação de um conhecimento de Inteligência falseado ou impreciso pode
comprometer a cadeia decisória do Estado que dele faça uso. A divulgação não autorizada de dados e conhecimentos
classificados ou originalmente sigilosos também prejudica os órgãos de Inteligência, afetando diretamente a sua
credibilidade.
Nesse contexto, a confiabilidade do SISBIN deve ser ampliada continuamente pelo aperfeiçoamento do processo
de seleção de recursos humanos para a área de Inteligência, pelo treinamento de servidores públicos encarregados de
temas e missões sensíveis e pela implementação efetiva de contramedidas de segurança corporativa indispensáveis à
segurança e ao desenvolvimento da atividade de Inteligência.
8.7 Expandir a capacidade operacional da Inteligência
As ações de obtenção de dados sigilosos, visando a contribuir para a neutralização de ameaças à sociedade e ao
Estado brasileiros, exigem equipes operacionais altamente capacitadas. Para o melhor aproveitamento e produção de
resultados, é imprescindível que essas equipes disponham de recursos materiais, humanos, tecnológicos e financeiros,
entre outros, compatíveis com a complexidade das missões que se lhes apresentem.
Desse modo, deve ser estudada a viabilidade de expansão da capacidade operacional da Inteligência, sobretudo
no que diz respeito ao adequado efetivo de agentes especializados nessa atividade; aos recursos, capacitações e
treinamentos necessários à sua execução; e à inserção, no ordenamento jurídico nacional, dos instrumentos que
amparem suas atividades.
8.8 Fortalecer a cultura de proteção de conhecimentos
O acesso não autorizado a técnicas, processos de inovação, pesquisas, planos e estratégias, bem como ao
patrimônio genético e a conhecimentos tradicionais a ele associados, pode comprometer a consecução de objetivos
nacionais e resultar em prejuízos expressivos no campo socioeconômico. A proteção dos conhecimentos sensíveis
nacionais constitui fator essencial para o desenvolvimento do País. Os importantes resultados advindos de pesquisas
científicas e tecnológicas requerem contínuo aperfeiçoamento de mecanismos de proteção nos meios acadêmicos e
empresariais.
Torna­se, portanto, imprescindível e urgente fortalecer, no âmbito da sociedade, a cultura de proteção, visando ao
estabelecimento de práticas para a salvaguarda de conhecimentos por parte daqueles que os detenham. A Inteligência
deve concorrer para a disseminação dessa cultura como forma de evitar ou minimizar prejuízos ao País.
8.9 Cooperar na proteção das infraestruturas críticas nacionais
Ameaças como terrorismo, organizações criminosas transnacionais e grupos de diferentes origens e com dist s
interesses ligados a atos de sabotagem devem ser monitoradas, como forma de minimizar as possibilidades de sucesso
das ações que visem a interromper ou mesmo comprometer o funcionamento das infraestruturas críticas nacionais.
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Nesse cenário, a Inteligência deve participar do processo de avaliação de riscos e vulnerabilidades relativos a
alvos potenciais daquelas ameaças, visando a concorrer para a proteção das infraestruturas críticas nacionais.
8.10 Cooperar na identificação de oportunidades ou áreas de interesse para o Estado brasileiro
A atividade de Inteligência, pela sua atuação prospectiva e preventiva, auxilia o Estado na identificação de
oportunidades e interesses para o desenvolvimento nacional.
Nesse cenário, a Inteligência deve desenvolver a capacidade de assessorar as instâncias decisórias por meio de
instrumentos, estruturas e processos que possibilitem essa identificação nas diversas áreas do interesse nacional.

Fonte: Assessoria de Comunicação

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