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ADESG - Olimpíadas Rio – 2016, uma leitura geopolítica

Olimpíadas Rio – 2016, uma leitura geopolítica

Olímpia celebrizou-se por ter sediado competições entre atletas oriundos de todas as cidades-estados da Grécia antiga. Os jogos eram celebrados de quatro em quatro anos 1 em honra aos deuses do Olimpo. Até hoje não foi encontrada qualquer fonte segura que permitisse aos historiadores apontar a data precisa de criação daquelas famosas competições. Assim, adota-se 776 aC como marco original das olimpíadas, ano que corresponde à mais remota referência escrita aos lendários jogos gregos. Os vencedores eram laureados com o “kotinos”, coroa de flores de oliveira2. Teodósio I, imperador romano, suprimiu-as em 394 dC, decisão que interrompeu a série original das olimpíadas3.

Pierre de Frédy (1863 – 1937), Barão de Coubertin, historiador e pedagogo francês, nasceu em Paris, filho de família nobre4. Publicou inúmeras obras sobre educação e esportes. Entrou para a história pela iniciativa e tenaz liderança para que fossem restabelecidos aqueles notáveis jogos da Grécia antiga. Eternizou-se como Pierre de Coubertin e legou à humanidade as Olimpíadas da Era Moderna,
também disputadas de quatro em quatro anos. Foi o criador do Comitê Olímpico Internacional e da bandeira olímpica, cujos aros simbolizam a união dos cinco continentes habitados por meio do esporte.
O Rio de Janeiro sediou a XXXIª
5 Olimpíada da Era Moderna, a primeira
na América do Sul. De Olímpia, recebeu a chama sagrada e de Londres, a
bandeira olímpica. Atletas, representantes da elite esportiva de seus países,
legaram exemplos de coragem, respeito, patriotismo, tenacidade, perseverança,
dedicação, espírito de equipe, preparo físico, mérito e amor ao desporto. Os
vencedores foram premiados com medalhas de ouro, prata e bronze, os “kotinos”
de hoje. Receberam-nas com gestos de alegria e lágrimas de emoção ao tempo em
que contemplavam as respectivas bandeiras sob os acordes do hino nacional do
vencedor.
A Olimpíada, maior evento esportivo mundial, premia apenas os atletas.
Contudo, é usual que os países sejam ordenados segundo o número de medalhas
conquistadas por seus representantes, o que permite comparar o resultado
auferido pelos respectivos países.
Este artigo se propõe a analisar como o poder dos estados se reflete no
esporte e expressa o respectivo desenvolvimento cultural. Foi adotado como
parâmetro o desempenho dos atletas expresso pelo número de medalhas que
conquistaram para suas pátrias6
.
O CONSELHO DE SEGURANÇA7 NO OLIMPO
A Organização das Nações Unidas (ONU) é a expressão jurídica de uma
vitória militar, ensinava o General Cerdá, professor da Escola Superior de Guerra
do Exército Argentino. Em sua estrutura, o Conselho de Segurança sobressai-se
por ser o único órgão cujas decisões devem ser obrigatoriamente adotadas pelos
estados-membros. Dentre seus quinze integrantes, poder especial é conferido aos
cinco vencedores da Segunda Guerra Mundial: Estados Unidos da América (EUA),
China, Reino Unido, Rússia e França têm assento permanente e poder de veto, a
par de serem potências nucleares8
.
Já lá se vão setenta anos do término daquela guerra e muita água passou
sob várias pontes. No Rio de Janeiro, atletas daqueles países ratificaram o amplo
predomínio desportivo das nações que representaram. Os resultados apresentados
na tabela n° 1 falam por si só:
TABELA N° 1
PAÍS POSIÇÃO OURO PRATA BRONZE TOTAL POSIÇÃO
EUA 1° 46 37 38 121 1°
Reino Unido 2° 27 23 17 67 3°
China 3° 26 18 26 70 2°
Rússia 4° 19 18 19 56 4°
França 7° 10 18 14 42 5°
Observação: a França e a Alemanha obtiveram o mesmo total de medalhas.
Eis o reflexo cultural de sadias ações políticas, econômicas, psicossociais e
científico-tecnológicas conduzidas por líderes competentes ao longo do tempo,
malgrado os problemas que todos enfrentaram. Em tempos de globalização, salta
aos olhos que os esportes espelham, em verdadeira grandeza, o poder nacional de
cada um dos estados que têm direito a veto e assento permanente no Conselho de
Segurança.
A ECONOMIA E AS OLIMPÍADAS
A expressão econômica do poder nacional pode ser isolada a fim de se
concluir sobre sua projeção no resultado das olimpíadas. Para tal, este artigo se
vale do produto interno bruto (PIB), expressão do poder da economia de cada país.
A tabela n° 2 apresenta a posição das dez maiores economias do mundo em 20159
e
as confronta com os resultados que conquistaram seus atletas nos Jogos Olímpicos
Rio 2016, o que assegura algumas constatações.
TABELA N° 2
Posição Medalhas
PIB Posição Ouro Prata Bronze Total Posição
1° EUA 1° 46 37 38 121 1°
2° China 3° 26 18 26 70 2°
3° Japão 6° 12 8 21 41 7°
4° Alemanha 5° 17 10 15 42 5°
5° Reino Unido 2° 27 23 17 67 3°
6° França 7° 10 18 14 42 5°
7° Índia 67° 0 1 1 2 57°
8° Itália 9° 8 12 8 28 9°
9° Brasil 13° 7 6 6 19 12°
10°Canadá 20° 4 3 15 22 11°
A primeira refere-se à Rússia, detentora de excelente resultado olímpico,
mas cuja economia não figura entre as dez maiores do mundo. Em decorrência de
diferentes causas internas e externas o PIB da Federação Russa situou-se em
décimo segundo lugar, o que não configura distorção significativa. Quanto aos
demais estados com assentos permanentes e poder de veto no Conselho de
Segurança da ONU, todos estão em ambos os pódios, olímpico e econômico.
A segunda constatação diz respeito à Índia, potência nuclear e com
população superior a um bilhão de habitantes. Apesar de ostentar o sétimo PIB do
mundo, o país logrou rotundo fracasso olímpico, evidência de que seus poderes
militar e econômico estão muito dissociados do que seria um desempenho
desportivo compatível. A Índia ainda está olhando para o Monte Olimpo a
quilômetros de distância.
E como não admirar o desempenho dos países do Eixo, derrotados na
Segunda Guerra Mundial? Há pouco mais de setenta anos, a Alemanha sofreu as
consequências do nazismo, dos bombardeios aliados, da ocupação comunista e da
divisão territorial durante a Guerra Fria. A Itália, por sua vez, padeceu sob o
nazifascismo que implicou, em certo momento da guerra, a existência de dois
governos, um ao sul e o outro ao norte do Arno. E o Japão, cultura milenar, foi o
único país do mundo sobre o qual foram lançados dois artefatos nucleares.
Hiroshima e Nagasaki são chagas que sangram ainda hoje na alma japonesa.
Os três países conquistaram posições de destaque entre as dez maiores
economias do mundo e entre os dez melhores resultados na Olimpíada. Que lições
podem ser extraídas? Entre outras, a determinação dos respectivos povos na
superação de desafios inimagináveis. Seus resultados resultam de trabalho
denodado, do mérito, dos valores culturais e de exemplar sentimento de superação.
A quarta constatação refere-se ao Brasil, cujo resultado olímpico é o melhor
de sua história, ainda que sua economia esteja amargando os impactos da
incompetência, da irresponsabilidade e da desonestidade em todos os níveis de
governo. O Brasil merece parágrafo especial.
O BRASIL E SUA MELHOR OLIMPÍADA
É gratificante constatar o desempenho dos atletas brasileiros na XXXIª
Olimpíada da Era Moderna. Seus atletas, tenham ou não conquistado medalhas,
merecem aplausos calorosos. Legaram-nos exemplos de dedicação, respeito aos
adversários, vigor físico, abnegação, combatividade e raça. Encheram-nos de
orgulho. Suas conquistas levaram o pavilhão nacional dezenove vezes ao pódio,
colocando-nos na 13ª e na 12ª posição segundo, respectivamente, o critério do
número de medalhas de ouro e total de medalhas. O Brasil ombreou-se com os
melhores países do mundo.
Convida-se agora o leitor a voltar seus olhos para a América do Sul, área
estratégica prioritária para o Brasil. A Tabela n° 3 demonstra a indiscutível
primazia da Terra de Santa Cruz.
TABELA N° 3
Posição MEDALHAS AMÉRICA DO SUL
País Posição OURO PRATA BRONZE TOTAL Posição
1° Brasil 13° 7 6 6 19 12°
2° Colômbia 23° 3 2 3 8 31°
3° Argentina 27° 3 1 0 4 45°
4° Venezuela 65° 0 1 2 3 51°
O Brasil conquistou mais medalhas de ouro do que todos os demais países
do subcontinente juntos. O mesmo fenômeno se observa no tocante à soma das
medalhas de prata, de bronze e, consequentemente, ao total de medalhas. O
predomínio auriverde é absoluto nesse espaço geopolítico.
Eis o momento para enaltecer o “Programa Atletas de Alto Rendimento” 10
,
criado em 2008, parceria entre o Ministério da Defesa e o dos Esportes. Seu
objetivo inicial era o de preparar atletas para os 5° Jogos Mundiais Militares do
CISM, organizados pelo Brasil em 2011, no Rio de Janeiro.
A conquista com louvor daquele primeiro objetivo estimulou as autoridades
militares e desportivas a prosseguir na preparação de atletas para competir nos
Jogos Olímpicos Rio-2016. E, uma vez mais, as Forças Armadas corresponderam
aos elevados índices de credibilidade que lhes credita o povo brasileiro. Os atletas
militares conquistaram treze das dezenove medalhas brasileiras. Fizeram-nos
vibrar com seus feitos esportivos e, também, pelas seguidas demonstrações de
respeito aos símbolos nacionais, prestando-lhes continência quando da execução do
hino e do hasteamento do pavilhão nacional. Somos-lhes gratos. Eles fizeram a
diferença. Missão cumprida!
O DESENVOLVIMENTO HUMANO E AS OLIMPÍADAS
É relevante, ainda, associar qualidade de vida e vitórias desportivas. Para
tanto, está disponível o índice de desenvolvimento humana (IDH).
O IDH permite avaliar o impacto das políticas econômicas na qualidade de
vida e no bem-estar da população por intermédio da conjugação de diferentes
fatores, tais como alfabetização, educação, esperança de vida e natalidade.
Segundo o IDH pode-se classificar os países como de desenvolvimento humano:
muito algo, alto, médio e baixo11
. Na Tabela n°4 estão correlacionadas posições
ocupadas por alguns países nas Olimpíadas Rio-2016 com seus respectivos IDH12
publicados em dezembro de 2015.
TABELA N° 4
Posição Medalhas IDH Posição Classificação
País Ouro do IDH
EUA 1° 0,915 8° Muito alto
Reino Unido 2° 0,907 14° Muito alto
China 3° 0,727 90° Alto
Rússia 4° 0,798 50° Alto
Alemanha 5° 0,916 6° Muito alto
Japão 6° 0,891 20° Muito alto
França 7° 0,888 22° Muito alto
Coreia do Sul 8° 0,898 17° Muito alto
Itália 9° 0,873 27° Muito alto
Austrália 10° 0,935 2° Muito alto
Holanda 11° 0,922 5° Muito alto
Hungria 12° 0,828 44° Muito alto
Brasil 13° 0,755 75° Alto
Colômbia 23° 0,720 97° Alto
Argentina 27° 0,836 40° Muito alto
Venezuela 65° 0,762 71° Alto
Índia 67° 0,609 130° Médio
África do Sul 30° 0,666 116° Médio
Constata-se que, dentre os treze primeiros colocados, dez têm IDH muito
alto o que permite afiançar que o resultado olímpico desses países reflete o bemestar
e a qualidade de vida de sua população. Vê-se que seus resultados nos
esportes são consequência natural do sistema de educação que têm desenvolvido,
aplicado e aperfeiçoado ao longo dos tempos.
No mesmo conjunto, observa-se que China, Rússia e Brasil têm longo
caminho a percorrer, malgrado os expressivos resultados de seus atletas. No caso
específico do Brasil, pode-se afirmar que são necessários esforços sérios e
perseverantes em todas as expressões do poder nacional a fim de que aos louros
colhidos por nossos atletas correspondam louros colhidos por nossos patrícios em
sua qualidade de vida. Quando esse sonho se concretizar, o Brasil ascenderá de
posição no IDH e em futuras olimpíadas.
Nota-se que, no conjunto dos países da América do Sul, teria havido
homogeneidade, não fora a Argentina por exibir IDH muito alto. Entretanto, é
curioso sublinhar que à qualidade de vida dos argentinos não correspondam
resultados expressivos nas Olimpíadas. A Colômbia, por seu turno, enfrentou
décadas de narcoguerrilha, cujo processo de pacificação parece ter sido finalizado
ao término dos jogos do Rio de Janeiro. Assim, seu resultado olímpico é coerente
com o cenário que enfrentou e enfrenta. A Venezuela, por sua vez, vítima de
regime totalitário travestido de democracia, ainda registra IDH superior ao
brasileiro. Mesmo que seja ultrapassada em breve, nossa posição é, no mínimo,
desconfortável.
E o conjunto dos países integrantes do BRICS? Nesse grupo sobressaem
Brasil, Rússia e China detentores de IDH alto. Já a qualidade de vida e o bem-estar
das populações da África do Sul e a Índia ‒ IDH médio ‒ não nos fazem inveja.
Seus resultados na Olimpíada bem expressam o que se afirma. BRICS é um grupo
heterogêneo: três potências nucleares, duas com assento permanente no Conselho
de Segurança, duas com IDH médio e três com expressivos resultados olímpicos.
Pode-se inferir que constituem mais um foro de discussão no qual seus dirigentes
procuram encontrar objetivos comuns para cinco culturas diferentes.
CONCLUSÕES
A cultura da Grécia antiga foi tão pujante que suas criações superaram os
séculos e continuam produzindo frutos em abundância. Em plena Era do
Conhecimento, os olhares do mundo se voltam para Olímpia para homenagear a
sede original dos jogos e testemunhar que é de lá que a chama sagrada que será
conduzida à cidade escolhida para palco dos Jogos Olímpicos da Era Moderna.
Se a Grécia é o berço dos jogos, a França pode se vangloriar de ser a terra
natal do Barão de Coubertin, nobre parisiense a quem o mundo tributa
homenagem pela retomada dos jogos, transformados hoje no maior evento
esportivo do planeta.
Analogamente, o Rio de Janeiro se regozija e orgulha por ter sido a
primeira cidade da América do Sul a sediar a competição. De Olímpia recebeu o
fogo sagrado e de Londres, a bandeira olímpica. Ao mundo, a Cidade Maravilhosa
exibiu seus cartões postais e, hoje, comemora o êxito logrado na XXXIª Olimpíada
da Era Moderna, uma vitória brasileira.
O resultado final dos jogos, ainda que individual, ensejou uma leitura
geopolítica, pela comparação das medalhas ‒ kotinos ‒ conquistadas com
indicadores de poder.
Dessa leitura pode-se concluir que os países que têm assento permanente e
direito a veto no Conselho de Segurança da ONU exibem nos esportes um fiel
retrato de seus respectivos poderes nacionais. São potências políticas, militares e
desportivas.
Conclui-se, também, que dentre essas cinco potências apenas a Rússia não
figura entre os dez maiores PIB medidos em 2015. Por ocupar a décima segunda
posição, não chega a ser um ponto fora da curva. Chama a atenção o PIB da
Alemanha, do Japão e da Itália, países praticamente pulverizados ao fim da
Segunda Guerra Mundial e hoje potências econômicas e desportivas. São exemplos
de superação.
A Índia, contudo, ainda que detentora do sétimo PIB do mundo é um
desastre desportivo, o que evidencia desequilíbrio acentuado entre as expressões de
seu poder nacional.
O Brasil, nossa Pátria, o nono PIB do conjunto analisado, conquistou seu
melhor resultado olímpico de todos os tempos, causa de sadia vaidade nacional e
estímulo para subir posições em ambos os pódios, econômico e olímpico.
Reafirma-se que, na América do Sul, espaço geopolítico prioritário para
projeção do poder, a hegemonia olímpica brasileira é indiscutível. Essa posição de
destaque decorreu da sinergia dos esforços de autoridades desportivas,
governamentais e, destacadamente, militares. O “Programa Atletas de Alto
Rendimento” ratificou o acerto de sua concepção e condução pelas Forças
Armadas. Os atletas militares e civis, laureados ou não, merecem o aplauso e a
gratidão dos brasileiros. A todos ficam o exemplo e o estímulo para prosseguir na
senda da vitória.
Concluiu-se, por último, que há correlação íntima entre o IDH e os
resultados da Olimpíada. Os países de IDH muito alto têm excelente desempenho
desportivo que reflete o nível cultural e educacional de suas nações. A China e a
Rússia são exceções que confirmam a regra.
Ao Brasil cumpre elevar a qualidade de vida de seu povo, a despeito dos
óbices que venha a enfrentar. Sua primazia econômica e desportiva na América do
Sul não condiz com o IDH que detém. Nosso país tem potencial para almejar
posições ainda mais elevadas nos pódios olímpico e econômico, e muito mais alta
no pódio da qualidade de vida e bem-estar de seu povo.
Que a chama olímpica que incendiou a autoestima da alma brasileira
durante a XXXIª Olimpíada da Era Moderna brilhe eternamente e que as bênçãos
dos deuses do Olimpo fortaleçam a vontade nacional.

Fonte: Gen Ex Paulo Cesar de Castro

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