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ADESG - O sonho de uma nação

O sonho de uma nação

Brasileiro é conservador, mas não é fascista. Apoia os atos da Justiça e não aprova a truculência e muito menos a tortura. E os militares são amostra fiel da sociedade brasileira

Os grandes desafios enfrentados pelas sociedades modernas estão relacionados às contínuas e profundas transformações causadas pelo desenvolvimento científico e tecnológico, observado na segunda metade do último século. Instituições políticas e sociais têm sofrido enormes impactos, provocados pelo frequente emprego de novas tecnologias, que alteram hábitos, valores e tradições que antes pareciam imutáveis.

Transições profundas e radicais constituem tempos de perplexidade, de pessimismo e de fugas desesperadas. A negação da realidade e a corrida para ideologias e religiões que oferecem respostas e consolo para tudo são marcas típicas de tempos do interregnum, como denominou ZygmuntBauman, capazes de desestruturar a vida cotidiana e produzir crises recorrentes.

A força das ficções pode aumentar significativamente nesses tempos. As utopias foram e provavelmente continuam a ser uma resposta possível para esses momentos de perplexidade e revolta. Mas, para se tornarem instrumentos eficazes de mobilização política, tendem a ser transmutadas em ideologia. Tudo fica mais simples quando se define um inimigo concreto, ainda que falso, capaz de induzir a revolta com sentido revolucionário. Por isso, como lembrou o sociólogo Sérgio Abranches, todas as utopias acabam na pira das fogueiras totalitárias.

O historiador americano Mark Lilla afirma que a antiga divisão entre socialistas e comunistas em oposição aos conservadores não mais existe. A nova divisão se dá entre os que se beneficiam e os que não se beneficiam da globalização. Isto explica fenômenos como o Brexit, a vitória de Trump nos EUA e a crise de identidade por que passam os partidos de esquerda na Europa. Segundo Lilla, agora precisam ser refeitos os conceitos de revolucionários, conservadores e reacionários. Os reacionários, à direita e à esquerda, são cavaleiros de uma realidade e de uma esperança passada.

Como exemplo da dificuldade destas classificações, a participação do Exército brasileiro na Proclamação da República teve um caráter essencialmente revolucionário e foi apoiada por proprietários rurais conservadores, contrários às mudanças defendidas pela Família Real. O tenentismo foi um movimento político-militar revolucionário, pontuado por uma série de rebeliões de jovens oficiais do Exército, no início da década de 1920, que reclamavam por uma reestruturação de poder, como a instituição do voto secreto e de uma reforma na educação pública. O movimento militar de 64 pode ser considerado como a última manifestação do tenentismo revolucionário.

A criação da Escola Superior de Guerra em 1949 representou uma iniciativa revolucionária no estudo de Política e Estratégia no Brasil. A iniciativa partiu de um grupo de militares que acreditava poder o país tornar-se uma grande potência, desde que tivesse uma política voltada para este fim. A ESG foi criada para dar curso e efetividade a sonhos compatíveis com a grandeza do país e com as características do nosso povo.

Realmente, o brasileiro é conservador, mas não é fascista. O brasileiro apoia os atos da Justiça e não aprova a truculência e muito menos a tortura. E os militares, por suas origens e por sua história, são uma amostra fiel da sociedade brasileira. De forma disciplinada, falam por intermédio dos seus comandantes. Como todos os brasileiros, pensam que precisamos aprimorar as bases de nossos sonhos. Para isto, devemos, por instrumentos democráticos, nos libertar da demagogia populista e do falso messianismo, que tanto mal trouxeram ao país. São amarras que impedem a realização do sonho brasileiro de construção de uma nação próspera, justa, fraterna, pluralista e sem preconceitos.

Umberto Andrade é general do Exército e presidente da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra


Fonte: O GLOBO - RJ Autor: UMBERTO ANDRADE

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