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ADESG - Museu de Zoologia estuda os moluscos, ramo pouco explorado da ciência

Museu de Zoologia estuda os moluscos, ramo pouco explorado da ciência

Pérolas, coleções de conchas, pratos a partir de ostras e polvos, doenças como esquistossomose. Apesar desses assuntos fazerem parte do cotidiano de muitas pessoas, poucos sabem que há uma ciência comum que os une, a malacologia. Este é o nome que recebe o estudo do filo dos moluscos, o segundo com a maior diversidade de espécies do reino animal (ficando atrás apenas dos artrópodes), e que compreende seres invertebrados, terrestres, marinhos ou de água doce, com corpo mole e não segmentado.

A importância dos malacólogos, os profissionais que se dedicam a estudar moluscos, vai desde a sanitária, com a identificação de amostras de animais infectados por alguma doença, até a alimentícia, com a criação de moluscos para consumo humano. Mas, para isso, a existência de pesquisas científicas sobre o assunto é essencial, pois é aí que aparece o ponto de partida para todos esses ramos. Luiz Ricardo Simone, malacólogo e professor do Museu de Zoologia (MZ) da USP, aponta a pesquisa como o maior campo de trabalho para o profissional.

No MZ, a principal linha de atuação se dá na taxonomia, a área responsável pela classificação dos seres. “A taxonomia é o primeiro passo para o estudo biológico. Ninguém pode atuar a não ser que saiba com que espécie está lidando, e isso só acontece depois que o taxonomista já identificou e classificou”, diz o professor.

Luiz Ricardo e cada um dos 11 alunos de pós-graduação orientados por ele escolhem amostras, dissecam e fazem análises comparativas entre os resultados, numa tentativa de construir árvores filogenéticas, instrumentos que representam as relações evolutivas entre espécies. Como instrumento, eles se utilizam da morfologia (estudo da forma dos seres vivos) e, mais recentemente, do estudo do DNA encontrado nos animais.

Quando algum material chega ao museu, 10 a 20% dele apresenta alguma espécie ainda desconhecida pelos malacólogos. Esse material é recolhido principalmente a partir de expedições organizadas por docentes para os mais diversos locais, como a costa brasileira ou a Amazônia. “Com o levantamento após a coleta, descobrimos muitas espécies novas. É um acontecimento comum em malacologia”, atesta o professor.

Muito do material que é estudado no museu é fruto de expedições de outras instituições brasileiras, ligadas em convênio com a USP. Universidades do Ceará, Alagoas e Rio de Janeiro, por exemplo, organizam atividades de coleta e repassam os animais para o laboratório de malacologia do MZ, onde são armazenados - algumas espécies estão no museu há mais de 100 anos. “A gente sempre procura trabalhar em conjunto, somar em vez de dividir o conhecimento”, explica o professor Luiz Ricardo.

De acordo com ele, o próximo passo para a difusão dos resultados das pesquisas do MZ é a organização de um banco de dados que ficará disponível na internet. Serão colocadas as descrições de alguns animais, junto com fotografias tiradas de vários ângulos diferentes. “É uma iniciativa de quase todos os museus do mundo”, comenta o professor.

Dificuldades
Os profissionais da área não chegam a 30 no Brasil. De acordo com o professor Luiz Ricardo Simone, para os graduandos o ramo por vezes parece ser menos atrativo do que outros da biologia: “É um ciclo vicioso, pois os estudantes veem áreas mais desenvolvidas, como a dos vertebrados, e se interessam, decidindo se dedicar a elas”.

Além disso, a carência de estudos na área se dá também pela maior dificuldade de manejo dos animais. “Como parte significativa deles tem tamanho reduzido, é mais trabalhoso do que analisar seres maiores”, explica o malacólogo. No Brasil, isso pode ser verificado pela quantidade de trabalhos científicos publicados reconhecendo novas espécies, algo em torno de dez por ano. A Zoological Records, base de dados que armazena dados taxonômicos da biologia, registra de 4500 a 5000 espécies de moluscos por ano do mundo todo.

No entanto, segundo o professor, apesar de mais acentuado no Brasil, esse problema não se restringe às pesquisas daqui. Da estimativa de um milhão de espécies existentes de moluscos, são conhecidas pela comunidade científica cerca de 200 mil, ou seja, apenas 20% do total. Além disso, muitas dessas espécies não foram descritas por completo, o que significa que, apesar de conhecidas, a quantidade de informações sobre elas não é abundante.

O professor Luiz Ricardo Simone cita como exemplo o que ocorre no continente americano. Desde a costa dos Estados Unidos até a Patagônia, só foram estudadas de modo aprofundado três ou quatro espécies, parecidas entre si. “Só quando a gente estudou melhor, quando destrinchamos as análises, nós percebemos que na verdade estávamos confundindo essas espécies. Ainda há muito a fazer, muito a pesquisar”, afirma.

Um grande problema decorrente dessa carência de estudos é a possível perda definitiva de conhecimento, quando uma espécie é extinta e não foi identificada antes. “Algumas espécies endêmicas, que só pode ser encontradas em um determinado local, desaparecem após o desmatamento ou a inundação de uma área para a construção de uma hidrelétrica, por exemplo. Nós não sabemos quais animais estão ali que não são conhecidos”, explica o malacólogo.

Fonte: Meire Kusumoto / USP Online

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