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ADESG - Larvas de moscas em cadáveres podem ajudar peritos a esclarecer casos de morte

Larvas de moscas em cadáveres podem ajudar peritos a esclarecer casos de morte

O estudo das larvas de moscas encontradas em cadáveres fornece informações que podem ajudar os peritos e médicos legistas a esclarecerem as circunstâncias da morte, aponta pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em conjunto com o Instituto Adolfo Lutz. O trabalho de doutorado da bióloga Maria Luiza Cavallari demonstra que os insetos podem servir como marcadores do local em que a morte ocorreu. Resultados preliminares de experimentos com animais indicam que substâncias como cocaína e chumbinho (veneno para ratos) têm efeitos diferentes no desenvolvimento das larvas, o que também pode auxiliar no trabalho de perícia.

O estudo é orientado pelo pesquisador José Eduardo Tolezano, do Instituto Adolfo Lutz, e coorientado por Daniel Romero Muñoz, professor da FMUSP. Muñoz conta que a linha de pesquisa do Laboratório de Zoologia Médico-Legal da FMUSP com os insetos surgiu devido a um caso de perícia que terminou em dúvida. “O corpo de um homem foi encontrado num apartamento em adiantado estado de decomposição, o que impediu que a necrópsia e o exame toxicológico apontassem as causas da morte”, afirma.

“O exame das larvas no cadáver mostrou que elas eram de mosca-de-estábulo, inseto que não é endêmico em áreas urbanas. Se houvesse um estudo indicando a região de origem, seria possível investigar se o corpo foi trazido de outro local e averiguar a possibilidade de homicídio.” Segundo o professor, as larvas também podem trazer indícios de mortes associadas ao consumo de substâncias tóxicas, como casos de overdose, suicídios e até mesmo homicídios.

“Na medida em que elas alimentam-se do cadáver, elas serão afetadas pelas substâncias existentes no corpo. Assim, as larvas podem ser submetidas a uma análise toxicológica para verificar a presença de drogas”, observa o professor. “Em um experimento do laboratório, larvas alimentadas com cocaína apresentaram um crescimento excepcional, atingindo o dobro do tamanho normal.”

Para formar um banco de dados sobre a fauna entomológica do Estado de São Paulo, os pesquisadores passaram a recolher insetos em diversas regiões, tais como Atibaia, Cubatão, Itupeva e Peruíbe. “Durante a pesquisa de mestrado, coletei amostras numa área de Mata Atlântica, em Peruíbe, local que não havia sido estudado”, relata Maria Luiza. Ao todo foram identificadas mais de cem espécies de moscas na região. “A coleta é feita em uma armadilha que intercepta o voo das moscas que visitam carcaças de animais preparadas para o estudo, inclusive as que colocam ovos.”

No estudo de doutorado de Maria Luiza, houve a necessidade de capturar também as larvas. “Por isso, além da armadilha, foi colocada uma gaveta com terra debaixo da carcaça. Depois que o ovo eclode, a larva alimenta-se no cadáver até o momento em que vai tornar-se pupa, quando abandona a carcaça e enterra-se. Assim, a gaveta facilita a coleta de amostras.”

A bióloga montou três dispositivos de captura com carcaças de porcos: uma de animal que recebeu cocaína, outra em que houve ingestão de chumbinho (veneno para ratos), muito encontrado em casos de suicídio, e uma sem nenhuma substância, para controle. “Os resultados preliminares do estudo indicam que as duas substâncias influenciam de modo diferente o desenvolvimento das larvas”, destaca. “Todos os experimentos tiveram aprovação e seguiram as normas do Comitê de Ética em Pesquisa com Uso de Animais.”

De acordo com Maria Luiza, como cada região possui espécies diferentes de insetos, eles podem servir como marcadores médico-legais de locais. “Da mesma forma, as substâncias presentes nas larvas fornecem evidências das causas da morte. Isso pode ajudar na elucidação de casos de cadáveres encontrados em avançado estado de decomposição”, ressalta. “Os exames convencionais detectam o momento da morte apenas até cerca de 72 horas depois de ocorrido. Quando são aplicados conhecimentos em entomologia forense, ou seja, sobre as características e o ciclo de vida dos insetos, é possível estimar há quantos dias ocorreu a morte, mesmo que tenha sido em um grande intervalo de tempo.”

Fonte: Por Júlio Bernardes - Usp On Line

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