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ADESG - Grupo discute o que representa ser negro no ensino superior

Grupo discute o que representa ser negro no ensino superior

A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP foi palco de um debate sobre “O que é ser negro no ensino superior?”. O evento foi organizado pelo grupo Genera, que tem como objetivo realizar discussões sobre gênero e raça, bem como fomentar reflexões, pesquisas, publicações e propostas para o desenvolvimento humano dentro do ambiente acadêmico.

O Genera - Grupo de Estudos de Gênero e Raça, é formado por docentes, pós-graduandos e graduandos da FEA, e a professora Silvia Casanova é a principal responsável pelo projeto no momento. O núcleo atua em três frentes principais: acadêmica, estrutural e de atividades de extensão.

As discussões sobre o tema seguiram em tom de conversa, da qual participaram, além das organizadoras, alunos de diversas faculdades da USP. Sandra Maria Cerqueira da Silva Mattos é doutoranda em Contabilidade, e conduziu o debate. Ela acredita que a falta de informações e pesquisas sobre o tema dificultam quaisquer tentativas de intensificar uma discussão, e por essa razão, eventos que trazem como temática o negro no ensino superior são oportunidades ímpares.

Quanto às cotas raciais, Sandra considera uma necessidade no momento, mas que não deveriam ser uma medida definitiva. Para a pesquisadora, são necessárias porque, a partir do momento que o negro estiver incluso no ensino superior, o processo de transformação do sistema acontecerá naturalmente. As famílias estarão estruturadas e se sentirão representadas, ocorrendo o que se chama de “espelho”, e mais pessoas compreenderão que a Universidade é um espaço para todos.

Também esteve presente Angela Christina Lucas, que realiza pesquisa de doutorado em Administração e é integrante do Genera. Ela alertou para o fato de haver poucos alunos e docentes negros nas universidades, daí a necessidade de criar mecanismos de acolhimento, assim como as cotas raciais. Mas também mencionou a importância das medidas de permanência estudantil, pois há uma grande evasão de alunos negros, que mesmo passando por uma prova idêntica a dos demais alunos sofrem com preconceitos, e não sentem que pertencem ao espaço no qual estão inseridos.

Há uma grande evasão de alunos negros, que mesmo passando
por uma prova idêntica a dos demais, sofrem com preconceitos,
e não sentem que pertencem ao espaço no qual estão inseridos.

As dificuldades pelas quais os negros passam não estão limitadas às salas de aula, ou ao espaço acadêmico – elas se estendem ao mercado de trabalho. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Ethos, pessoas negras demoram três vezes mais do que pessoas brancas para ascender a bons cargos, ainda que ambas tenham a mesma formação. E esse problema é enfatizado quando se tratam de mulheres negras.

Se o acesso ao ensino superior é algo difícil, o ingresso em cursos mais concorridos torna-se quase impensável. Concorrer a vagas em medicina, engenharia, direito ou qualquer outro curso com grande demanda parece um sonho distante. Vários dos alunos falaram que mesmo suas famílias não os encorajavam a tentar entrar na USP, pois não a via como um espaço para eles. E o Genera trabalha nesse sentido, estudar o espaço universitário como sendo de todos.

Se o acesso ao ensino superior é algo difícil, o ingresso
em cursos mais concorridos torna-se quase impensável.

Uma das alunas presentes no debate mencionou que desde a infância se aprende que marcas e signos no corpo têm significado. O uso do cabelo crespo, por exemplo, é sinal de rebeldia, representando a não submissão aos padrões impostos pela sociedade. A aluna, que é mestranda em Educação Infantil pela Faculdade de Educação (FE) da USP, citou o trecho de uma música para representar o que sente: “Eu não sou meu cabelo/ eu não sou o meu corpo/ eu sou mais do que isso”.

E destacou que se entre adultos o tema é delicado, para as crianças existem fatores agravantes. Relatou presenciar meninas que usavam bonés e gorros para esconder seus cabelos, e quando não conseguiam fazê-lo, muitas vezes eram alvo de preconceitos, diminuindo sua auto-aceitação, e induzindo-as a processos como o alisamento do cabelo.

Em pesquisas recentes em Salvador (BA), o IBGE registrou 123 matizes de cores diferentes pelas quais os entrevistados se identificavam, entre elas cajuzinho, cabo-verde e moreno escuro. Para as pessoas participantes do debate, situações como essa acontecem porque o negro está com sua identidade ferida, e portanto nega em certos momentos sua cor e origem.

Para os presentes, uma das principais razões para a escassez de discussões sobre os assuntos abordados no debate é o estigma de que “não existe racismo no Brasil”. E se ele não existe, como debatê-lo? Todos concordaram com a necessidade de encará-lo como algo real a ser combatido.

O evento foi encerrado com o levantamento dos principais tópicos abordados – cotas raciais, inclusão no mercado de trabalho e criação de espaço para discussão. Será redigida ainda uma carta colaborativa sobre os assuntos tratados, que deve ser distribuída na Universidade.

Fonte: USP Online Destaque por Joana Leal Foto: Roberta de Paula

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