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ADESG - Comandante da ESG ministra palestra no Clube de Engenharia

Francis Bogossian, presidente da Academia Nacional de Engenharia e ex-presidente do Clube de Engenharia; Pedro Celestino, presidente do Clube; General de Exército Décio Luís Schons, Comandante da ESG; e Edival Ponciano de Carvalho, ex-Comandante do I

O Clube de Engenharia, em parceria com a Academia Nacional de Engenharia, recebeu no dia 17 de maio o General do Exército Décio Luís Schons, Comandante da Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro, para uma palestra sobre a instituição. Tratando sobre a história, as atividades atuais e os projetos futuros da escola, o General Schons falou acerca da missão e dos desafios da ESG frente a aspectos vitais da agenda nacional, como a estratégia de defesa, a soberania nacional e os cortes orçamentários na área de Ciência e Tecnologia.

"A Escola Superior de Guerra é a mais antiga instituição a pensar o Brasil do ponto de vista estratégico", disse Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, ao abrir o evento. Fundada em 1949, no contexto pós-2ª Guerra Mundial, a ESG consolidou a primeira tentativa de se pensar o país em questões como geopolítica, defesa e soberania. “De lá para cá, em sucessivos governos e regimes”, continuou Celestino, “a ESG estabeleceu um conceito extraordinário, de ser uma instituição voltada para pensar o Brasil".

O General Schons explicou que a ESG é hoje um instituto de altos estudos e pesquisa em política, estratégia e defesa, promovendo o intercâmbio entre profissionais civis e militares, brasileiros e estrangeiros, de diferentes áreas de conhecimento. Segundo ele, são seis as colunas que sustentam as atividades da escola: o Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia, o Instituto de Doutrina de Operações Conjuntas (IDOC), o Centro de Estudos Estratégicos — um think tank que interliga academia, sociedade e Estado (policy maker) e produz materiais de estudo e comunicação —, o Instituto Cordeiro de Farias — que oferece Cursos de Pós-Graduação em Segurança Internacional e Defesa — o Instituto de Capacitação para Aquisições de Defesa e a Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Diversidade de Pensamento

Os cursos regulares oferecidos pela ESG duram entre 5 e 42 semanas, e em 2018 será iniciado o curso de mestrado stricto sensu em Segurança Internacional e Defesa, com doutorado previsto para 2022. O corpo de estudantes é formado por profissionais indicados por instituições militares e, no caso de civis, por indicações de instituições convidadas pela ESG.

No ano passado foi realizado o primeiro concurso para admissão de docentes permanentes na instituição, culminando na contratação de 15 professores e professoras civis e militares, doutores de diferentes áreas, como História, Ciência, Política, Geopolítica, Economia, Relações Internacionais e Engenharia, além de Ciência, Tecnologia e Inovação.

A diversidade de áreas e de formações, tanto nos docentes quanto nos estudantes, é vista como um dos objetivos da escola. "A nós interessa a diversidade de pensamento", salientou o General Schons. "Do debate resultam coisas positivas, de valor, que nos empurram para frente. É disso que o Brasil precisa neste momento. Nós não queremos radicalismos, pessoas endurecidas em posições. Queremos debate, diálogo, construir. Nosso país é um país em construção, é novo e ainda temos muito a aprender", afirmou o Comandante da ESG.

O General Décio Luís Schons foi instrutor da Escola Preparatória de Cadetes do Exército e da Academia Militar das Agulhas Negras; Observador Militar na Organização das Nações Unidas em Angola; Oficial de Ligação da Organização das Nações Unidas na ex-Iugoslávia; Ajudante-de-ordem e Assistente-Secretário do Ministro do Exército; Adjunto e Chefe da Comissão do Exército Brasileiro em Washington.

Soberania Nacional

No debate, a plateia e o palestrante puderam aprofundar mais a discussão sobre a atuação da ESG e sobre estratégicas das Forças Armadas ligadas à soberania nacional.

Uma das questões foi sobre a inserção da escola para fora do ambiente militar. "Nós temos um curso em parceira com a FIESP [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo] sobre gestão de recursos de defesa. E estamos em tratativas para um curso de logística e mobilização nacional em parceria com o Instituto Mackenzie, o que vai abrir um campo interessante de cooperação", respondeu o General Schons. "Temos trabalhos em parceira com diversas universidades, como a UERJ, UFRJ, UFF, Universidade do Rio Grande do Sul, e estamos conversando para o estabelecimento de parcerias com a Unicamp e a USP", afirmou, frisando que a abertura dos cursos de Mestrado e Doutorado possibilitarão ainda mais intercâmbios entre a ESG e outras instituições de ensino e pesquisa civis brasileiras.

A discussão sobre soberania nacional é crítica e debatida na ESG, afirmou o General Schons. "Para as Forças Armadas, a soberania em grandes linhas diz respeito a questões de fronteiras, mas sabemos que não é só isso. Mas, com relação aos outros aspectos, é muito pouca a liberdade de ação das Forças Armadas para tratar sobre, porque são assuntos essencialmente de caráter político — estão no nível político, não estão nem no nível estratégico. Então quando se fala, por exemplo, das terras indígenas, as Forças Armadas não são nem chamadas a opinar sobre isso", explicou.

Outro exemplo dado pelo general é o patrulhamento das fronteiras, uma responsabilidade primordialmente das polícias, mas que é hoje desempenhado pelas Forças Armadas. Perguntado sobre a operação militar desenvolvida na Amazônia em parceria com países como EUA, Peru e Colômbia no ano passado, ele explicou que, além de ter sido controlado pelo Brasil, foi um exercício oportuno para que o Exército pudesse se preparar, inclusive administrativamente, para a onda migratória de milhares de venezuelanos que hoje chegam ao Brasil pela fronteira com Roraima.

Estratégia, Tecnologia e Cortes Orçamentários

"Não tem havido, por parte do Estado brasileiro, a preocupação no nível mais alto, de política de defesa e desenvolvimento nacional", afirmou o General Schons ao falar sobre os cortes de orçamento público nas áreas de Ciência e Tecnologia, afetando inclusive a área de estratégia militar. "Essa é uma grande preocupação para as Forças Armadas", salientou.

"A parte orçamentária está ficando cada vez mais apertada, por causa da questão do teto orçamentário [Ementa 95], que nos aperta imensamente. Nossos projetos não têm apelo midiático, não têm apelo eleitoral. Então se é preciso socorrer alguns aliados políticos, vão tirar das áreas em que não há apelo imediato, e as Forças Armadas são candidatas sérias a receber esses cortes. Muitos de nossos programas não podem nem ser divulgados abertamente, são programas de sigilo porque envolvem a soberania nacional", explicou o Comandante.

O Comandante da ESG citou o exemplo da Marinha, que tem mantido os projetos de enriquecimento de urânio para fins pacíficos e, também, do submarino nuclear apesar dos sucessivos cortes de orçamento. O mesmo gargalo é vivido pelo Exército, a quem coube o programa de defesa cibernética. "É uma luta diária para colocar recursos. São áreas essenciais para a segurança do país", afirmou.

"A capacitação que a Escola proporciona é exatamente uma metodologia de planejamento, até mesmo de montagem e estudo de cenários futuros. Os estagiários que frequentam os cursos hoje podem futuramente assessorar ministérios. Acredito que esse é um papel importante da escola e um dos argumentos para levar os cursos para Brasília", explicou.

Projetos Futuros

Entre os projetos previstos ainda para 2018 estão seminários sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente na Amazônia do século XXI; Combate à corrupção; Novos Rumos da Geopolítica; e Centenário do Fim da 1ª Guerra Mundial. Além disso, estão previstos: mesa-redonda sobre migração do ponto de vista estratégico; disciplina optativa sobre geopolítica para a Academia Militar das Agulhas Negras; formação de um grupo de Avaliação da Conjuntura e Extensão Cultural. Os seminários são transmitidos em videoconferência para qualquer pessoa inscrita.

O Comandante da Escola Superior de Guerra encerrou sua apresentação com o que entende ser a síntese das atividades na ESG: “Nesta casa estuda-se o destino do Brasil”.

Cooperação

A cooperação entre o Clube de Engenharia e a Escola Superior de Guerra é extremamente importante”, afirmou Pedro Celestino no fechamento do evento, citando como eixos de atuação da centenária instituição Engenharia, Democracia e Soberania, e como temas de destaque nas discussões atuais, Energia Elétrica, Satélite Geoestacionário, Petróleo e Geopolítica e Telecomunicações. A mesma vontade foi salientada pelo presidente da Academia Nacional de Engenharia, Francis Bogossian, que convidou a Escola Superior de Guerra para dialogar sobre um programa de cooperação entre as instituições.

Fonte: http://portalclubedeengenharia.org.br/info/escola-superior-de-guerra-nesta-casa-estuda-se-o-destino-do-brasil

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