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ADESG - A psicologia e o ‘vestibular do futebol’

A psicologia e o ‘vestibular do futebol’

Durante três meses, o psicólogo Bruno José de Mattos prestou assistência psicológica para adolescentes e comissão técnica de um time de futebol paulista que disputou a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Seu objetivo foi compreender e refletir sobre a importância da atenção psicológica a ser dada para esses jovens. Ele destaca ser fundamental a figura de um profissional para orientar os jogadores em todos os momentos da formação esportiva. Prova disso é que realizava, em média, quatro atendimentos por dia. No entanto, a grande maioria dos times não dispõe deste tipo de acompanhamento.


A Copa São Paulo de Futebol Júnior, realizada anualmente no Estado de São Paulo, é considerada a maior e mais importante competição das categorias de base do futebol brasileiro. Foi criada em 1969, por iniciativa da Prefeitura de São Paulo e hoje é organizada pela Federação Paulista de Futebol. Trata-se de uma vitrine para os empresários e olheiros do mundo inteiro, que almejam levar os garotos bons de bola para o exterior ou a grandes clubes.


Na última edição, o número de equipes participantes chegou a 80, sendo 25 jogadores em cada uma. Mas, estimativas apontam que, em média, apenas três jogadores de cada equipe alcançam a tão sonhada vaga em um time profissional após o torneio. Final feliz para poucos e o começo de um pesadelo para a maioria. "Ele é considerado o vestibular da bola para milhares de jovens atletas e não devemos esquecer que se trata de adolescentes em uma fase da vida de formação da identidade", define o psicólogo. Ele apresentou pesquisa de mestrado na Faculdade de Educação Física (FEF), sob orientação do professor Pedro José Winterstein.


O medo da não realização de um sonho, explica Mattos, muitas vezes tem início na primeira infância e sofre forte influência afetiva dos seus familiares. Isto faz com que eles comecem a pensar em questões existenciais, como: Quem sou eu no mundo? O que vou fazer da minha vida se eu não for jogador de futebol? Terei o mesmo carinho dos meus familiares e amigos se fracassar? "É importante ressaltar que a maioria desses jogadores é de classe social baixa; eles abdicam de muitas oportunidades na vida. Ade-mais, muitos não têm estudo, sendo alguns semi-analfabetos", argumenta.


O cenário mostra a importância de um acompanhamento psicológico, pois o encontro da realidade com o contexto social da competição gera níveis altíssimos de ansiedade. Uma experiência de vida dessa magnitude, esclarece o psicólogo, se frustrada e não amparada de forma salutar, futuramente pode gerar angústias profundas, quadros de depressão, crises de identidade, sentimentos de desvalia e impotência.


Além de psicólogo, o autor do estudo também é professor de Educação Física. Ele acredita que a sua pesquisa contribui para mostrar como se dá um atendimento psicológico em um time envolvendo tantas necessidades nesta área. Além disso, o aspecto central do trabalho foi levar a Psicologia Humanista da Abordagem Centrada na Pessoa, preconizada por Carl Ransom Rogers, para o esporte. Esta linha de pensamento não se limita a focar o atendimento psicológico em apenas um ponto crítico da personalidade da pessoa, mas sim trabalhá-la holisticamente. A teoria é consagrada no ambiente clínico e escolar, mas praticamente inovadora no esporte de alto rendimento.


Bruno Mattos alega que não pautou os resultados da sua pesquisa somente no desempenho dos jogadores em campo. Ele apresenta relatos dos atendimentos psicológicos prestados, suas percepções e sentimentos diante dos acontecimentos. "A melhor forma de ajudar o atleta é promovendo seu desenvolvimento global, por meio de atitudes facilitadoras. A pessoa atleta não é passível de rótulo ou perfis psicológicos", avalia.


Segundo o psicólogo, um dos depoimentos registrados retrata bem o seu sentimento de dever cumprido no período em que desenvolveu o estudo. Um dos garotos teria dito ao grupo a seguinte frase no final da última partida da competição: "A nossa vida não termina aqui e nós vamos conseguir seguir em frente". Para Mattos, este foi o maior resultado alcançado.

Fonte: Raquel do Carmo Santos /Unicamp

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