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ADESG - Um Novo Desenho no Mundo Árabepor Profº Gustavo Alberto Trompowsky Heck

Estamos assistindo a graves manifestações de protestos em todo mundo árabe. Há poucos dias a população ia às ruas para protestar contra o ditador da Tunísia, Zine El-Abidine Bem, após 23 anos de um regime autoritário. Agora, passeatas gigantescas no Egito parecem definir o fim de Hosni Mubarek, há mais de 29 anos no poder. Iêmen e o Reino da Jordânia, também estão diante de tumultos e incertezas.
Uma análise sumária mostra que a realidade sócio econômica dessas nações é muito dura. Uma forte desigualdade em termos de renda, e de igualdade de oportunidades. Uma reduzida oportunidade de emprego, afetando diretamente cerca de 90% da força trabalhadora mais jovem entre 16 e 24 anos.
Os movimentos seculares chegaram ao poder no pós-guerra, com uma proposta ambiciosa de reformas. Nada fizeram ao longo de mais de 50 anos, a não ser elevar a pobreza, ampliar a corrupção e deixar a economia estagnada, sem nenhuma probabilidade de reverter, a curto prazo, um quadro tão desfavorável.
Na verdade, esse projeto de poder sempre contou com o apoio irrestrito dos Estados Unidos, seja pelo aporte de elevadas somas em dinheiro, seja pelo fornecimento de material militar, na certeza de que a ajuda às ditaduras seculares do Oriente Médio manteria os radicais sob controle. Contudo, os fatos parecem indicar que o quadro sucessório nesses países seguirá uma linha antiamericana, como observa Ghaith al-Omari – Diretor da Força Tarefa Americana na Palestina, ao considerar que: “...os fundamentalistas apresentam-se como única alternativa política”.
Por certo, a questão central, para os líderes ocidentais, mais especialmente para Barak Obama, está no que acontecerá no “dia seguinte”. Quem assumirá o poder? Uma oposição comprometida com a verdadeira democracia, próxima do que deseja Washington, ou uma oposição radical liderada por fundamentalistas islâmicos.
No Irã, deu no que deu, com a ascensão da tirania religiosa que o aiatolá Khomeini estabeleceu a partir de 1979, em conseqüência de uma revolução espontânea não muito diferente da que ocorre atualmente no Egito e nos demais países do oriente médio. A movimentação política no Líbano sugere um crescimento do grupo extremista do Hezbollah.
Como analisa Ross Douthat, ao comentar a política externa norte americana, em recente artigo para o New York Times: “Nós nos refugiamos nos sistemas de política externa: o internacionalismo liberal ou realpolitik, o neoconservadorismo ou o princípio de não intervenção. Temos teorias e esperamos que os fatos se alinhem a elas. Não se intrometa que ninguém se intrometerá com você. Instituições internacionais manterão a paz. Não, a política de equilíbrio de poder que a manterá....Promovemos a democracia e assistimos à ascensão de islâmicos do Iraque à Palestina. Entramos no Afeganistão e, em seguida, saímos para ver o Talibã assumir. Intervimos no Afeganistão, ficamos, e acabamos presos sem um fim à vista”.
De nossa parte, devemos estar atentos, mantendo a necessária distância e prudência em questões que não nos dizem respeito. A linha de ação recomendada, no campo da política da externa brasileira, não deve ser outra senão a de cooperar para a paz e entendimento entre as nações, sem abandonar a sábia neutralidade. Agir de forma soberana e independente, de modo a evitar os fatos de um passado bem recente que comprometeram a imagem do nosso país.
Vamos, pois aguardar o novo desenho do mundo árabe.



O autor é Mestre em Segurança e Defesa Hemisférica pela USAL/CID, Membro do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra e Diretor de Cursos, Estudos e Pesquisa da ADESG.


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